Refugiados venezuelanos na PB pedem que brasileiros abram os corações: ‘Viemos para trabalhar’

Por - 25 de agosto de 2018 - 09:08

Angel, Gleomar e Yoel deixaram as famílias na Venezuela em busca de melhores condições de vida. Na Paraíba, eles dizem que foram bem recebidos, mas acompanham com tristeza os conflitos atuais em Roraima. Eles pedem que brasileiros abram os corações para acolhê-los.

Refugiados venezuelanos na PB pedem que brasileiros abram os corações: ‘Viemos para trabalhar’

Uma semana após o acirramento da tensão na fronteira de Pacaraima (RR) com a Venezuela, o G1 conversou com refugiados venezuelanos que tentam reconstruir suas vidas em Campina Grande, na Paraíba, depois de migrarem para o Brasil por causa da crise econômica e humanitária no país de origem.

Venezuelanos refugiados no Grande Recife lamentam falta de trabalho e violência na fronteira brasileira.

Eles fazem parte do grupo de mais de 40 imigrantes que foram trazidos de Roraima desde julho em um processo organizado pelo governo federal e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Longe das famílias, eles acompanham com tristeza os desdobramentos do mais novo conflito.

No último sábado (18) , um grupo de brasileiros atacou acampamentos de venezuelanos em Pacaraima, colocando fogo em objetos, roupas e documentos dos imigrantes após um comerciante ser assaltado e agredido. Ele diz que os criminosos eram venezuelanos. O caso está sob investigação.

Na Paraíba, os venezuelanos ouvidos pelo G1 falam que foram bem recebidos e que vieram para trabalhar. Todos eles já estão empregados: Angel Gabriel Ordaz Marin, de 25 anos, é atendente em uma filial de fast food. Gleomar José Aillon Gomes e Yoel Vera, ambos de 44 anos, são auxiliares de cozinha.

Para o venezuelano Yoel, a crise da Venezuela é desumana e agir com qualquer tipo de violência contra os refugiados é algo cruel.

“A gente não veio pra cá para ser milionário. Viemos para trabalhar, manter a família e viver dignamente, como qualquer pessoa merece na vida. Não queremos incomodar ninguém. Por isso eu peço que a fronteira não seja fechada, peço que os brasileiros acolham os meus irmãos com o coração”, diz o venezuelano Yoel Vera, de 44 anos.

Já Gabriel Marin fala que os refugiados não podem pagar pela ação de uma só pessoa. A apreensão também tomou conta de venezuelanos que estão no Distrito Federal. “Me doeu bastante ver a saída dos venezuelanos, porque há muitas pessoas boas que vieram para trabalhar, mas há também os maus”, disse um deles, que pediu para não ser identificado.

Em Pernambuco, venezuelanos enfrentam dificuldade de se colocar no mercado de trabalho e relatam outras situações de violência vividas em Roraima. “Conheço um homem que teve uma arma apontada por um morador de Boa Vista. Lá, não se tem leis para venezuelanos”, conta Evelin Cabrera, que decidiu deixar o pouco que tinha na Venezuela e vir para o Brasil em 2017.

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