Greve dos caminhoneiros chega ao 9º dia com falta de gás de cozinha e alimentos na PB

Por - 29 de maio de 2018 - 13:48

Paralisação acontece desde a segunda-feira (21) contra a alta no preço dos combustíveis.

Greve dos caminhoneiros chega ao 9º dia com falta de gás de cozinha e alimentos na PB

A greve dos caminhoneiros chegou ao 9º dia na Paraíba, nesta terça-feira (29). Mesmo após uma nova proposta do Governo Federal, com novas medidas para a redução no valor do diesel, a categoria permanece com a greve e até a tarde da segunda-feira (28) havia 14 pontos de interdição em rodovias, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No 9º dia de greve, já falta alimentos em hospitais e não há previsão para a chegada de gás de cozinha na capital paraibana. Os postos de gasolina já começam a ser reabastecidos com maior frequência e, na cidade de Santa Rita, Região Metropolitana de João Pessoa, a prefeitura divulgou nota informando que não tem como fazer a coleta de lixo por falta de combustível.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Passageiros e Cargas do Estado da Paraíba, Antônio de Pádua, o sindicato não vai se posicionar sobre o assunto, pois a situação se trata de “uma greve sem comando”. O sindicato apoio o movimento, mas não vai se posicionar sobre o assunto.

Já o presidente do Sindicato de Condutores de Transporte de Combustíveis e Produtos Perigosos, Emerson Galdino, informou nesta segunda-feira, que os caminhoneiros estão dispostos a manter a movimentação no ponto de distribuição no Porto de Cabedelo. No entanto, ele afirmou que essa não é mais uma orientação do sindicato.

Frota de ônibus reduzida

As frotas de ônibus de João Pessoa e Campina Grande começaram a ser reduzidas no 3º dia de paralisação, na quarta-feira (25). Na quarta-feira, em João Pessoa, a frota foi reduzida a 75%, circulando com o equivalente ao número de ônibus que atende aos passageiros nos sábados. Nesta terça-feira (29), a programação do Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de João Pessoa (Sintur-JP) é que 70% da frota de ônibus esteja nas ruas.

Na Estação Ferroviária, os trens estão funcionando normalmente, de acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos. No Terminal Rodoviário, nove empresas suspenderam todas as suas viagens.

Falta de combustível

Pelo menos sete caminhões tanques carregados com combustíveis chegaram a cidade de Campina Grande, na noite desta segunda-feira (28). A informação foi confirmada pela Polícia Militar, que escoltou os veículos até a cidade. Com esses carregamentos, oito postos devem voltar a abastecer entre a noite desta segunda-feira e início da manhã desta terça-feira.

 Falta de gás de cozinha

Por causa da paralisação dos caminhoneiros, paraibanos estão tendo dificuldades em encontrar gás de cozinha. De acordo com o sindicato dos revendedores de gás na Paraíba, as pequenas revendedoras estão sem botijões cheios no estoque e mesmo após o fim da paralisação, a distribuição deve demorar um pouco até normalizar. Em Campina Grande, o botijão que era vendido entre R$ 60 e R$ 70,  chegou a custar R$ 130 para um estudante.

Segundo o sindicato, na segunda-feira (28) chegaram duas carretas com gás que ficaram retidas na entrada de Campina Grande no início da paralisação. No entanto, nesta terça-feira (29), não há mais gás de cozinha no estoque.

Em João Pessoa, ainda não há previsão de reabastecimento. Segundo, o sindicato, o produto existe, mas não tem como sair do Porto. No Sertão da Paraíba, até o domingo (28), o gás de cozinha estava sendo vendido, mas nesta segunda-feira não há mais revendedoras com estoque.

 Em nota, o Sindigás informou que algumas praças ainda possuem um estoque mínimo de GLP. “Grevistas e forças policiais estão permitindo apenas a passagem de caminhões com GLP granel para abastecer serviços essenciais, como hospitais, creches, escolas e presídios. Porém, caminhões com botijões de 13 kg, 20 kg, 45 kg vazios ou cheios com nota fiscal a caminho das revendas não são reconhecidos pelos grevistas como abastecimento de um serviço essencial”.

Falta de alimentos

De acordo com o diretor presidente da Empasa, José Tavares, as situações de abastecimento de alimentos em Campina Grande, João Pessoa e Patos continua sem perspectiva nesta terça-feira (29).

Na unidade de João Pessoa, chegou nesta terça-feira um carregamento com cinco mil quilos de tomates, três mil quilos de batata e 3 mil quilos de cebola. Segundo José Tavares, o abastecimento foi um repasse de Campina Grande, que tinha um caminhão na barreira da paralisação e conseguiu cortar o bloqueio dos caminhoneiros. Em dias normais, a Empasa registra uma bastecimento de até 200 mil quilos de produtos.

 Na segunda-feira (28), chegaram na capital carregamentos de tubérculos e folhosos, que são produzidos no litoral da Paraíba e não precisaram cortar o bloqueio dos caminhoneiros. Em Campina Grande e em Patos, os carregamentos continuam sem chegar nas unidades. De acordo com José Tavares, as mercadorias podem se esgotar ainda nesta segunda-feira.

Escolas e universidade

O desabastecimento e as interdições em estradas têm causado suspensão de aulas e serviços, atrasos e faltas de funcionários, professores e alunos de escolas e universidades públicas e particulares na Paraíba.

As universidades públicas na Paraíba continuam com restrições nas atividades acadêmicas na terça-feira (29), durante a greve dos caminhoneiros. Em algumas instituições ainda estão sendo mantidas atividades administrativas e setores de serviço à população.

As aulas da rede municipal de ensino foram suspensas até a próxima sexta-feira (1º), apenas as creches estão funcionamento, mas até o meio dia, devido a falta de gás de cozinha e desabastecimento de alguns alimentos. As aulas da rede estadual de ensino e da rede privada estão normais nesta terça-feira.

G1 PB

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